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O milagre do vinho brasileiro: a inovação que possibilitou um salto definitivo de qualidade

Durante muito tempo, acreditava-se que o Brasil jamais poderia produzir vinhos de qualidade, dadas as condições climáticas. Aos poucos, ótimos espumantes foram desmentindo essa imagem e, nas últimas décadas, uma inovação no campo possibilitou um salto definitivo de qualidade. “Com a virada dos anos 2000, evoluímos em vinte anos o que levaria um século”, diz Sérgio Queiroz, especialista no mercado de vinhos. Empresas globais se estabeleceram no país, houve investimentos em mão de obra especializada e em novas técnicas de cultivo. Entre elas, notadamente, a dupla poda, técnica que altera o ciclo natural da planta para que a colheita ocorra no inverno, fugindo do verão chuvoso. Isso possibilitou a expansão da cultura para outros estados. São Paulo e Minas Gerais são algumas das regiões onde novos produtores se estabeleceram, abrindo espaço para vinhos com terroirs diversos e antes improváveis. O milagre da multiplicação pode ser expresso em números: a quantidade de vinícolas saltou no país de 200 para pouco mais de 1 000 nos últimos 25 anos. O reconhecimento internacional veio junto. Neste ano, um vinho paulista entrou para a seleta lista londrina World’s Best Sommeliers’ Selection, chancelada por um painel de sommeliers influentes do mercado global que selecionou apenas 115 vinhos de dezesseis países. O escolhido: Grama Branco 2024, feito com uvas sauvignon blanc e sémillon na Serra da Mantiqueira, pela Casa Tés. Sem a revolução da dupla poda, dificilmente essa conquista seria alcançada.

Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000

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Fonte:

Vinho – VEJA