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A chegada do bilionário Alexander Vik ao Chile foi notícia importante. O empresário norueguês possui um histórico proeminente: criado na Suécia, viveu nos Estados Unidos e estudou na Universidade de Harvard.
Grande parte de sua trajetória ocorreu em Mônaco, além de possuir um resort de alto luxo no Uruguai e ter construído fortuna no setor financeiro (estimada em 2014 pela Forbes em mais de US$ 1 bilhão, equivalente a R$ 5,6 bilhões). Ele também foi o fundador do site Xcelera.com, nos anos 1990, época em que as empresas de tecnologia atingiam recordes de valorização na Bolsa de Wall Street.
Distante de Nova York, na Región de O’Higgins, a duas horas de Santiago, no município de San Vicente de Tagua Tagua, fica o vale de Millahue. Foi nesse local que Vik e sua esposa decidiram erguer, em 2006, o projeto para estabelecer a “melhor vinícola do mundo”, título concedido pela prestigiada publicação The World’s 50 Best Vineyards em 2025.
Reconhecidos colecionadores de arte, o casal de empresários de origem norueguesa e norte-americana construiu, em uma área de mais de 4.000 hectares, um vinhedo de luxo, um hotel exclusivo e uma vinícola projetada pelo arquiteto chileno Smiljan Radic.
Expansão hoteleira

A distinção como a melhor vinícola do mundo garantiu à VIK projeção ainda maior no circuito do turismo enológico de alto padrão. Em razão disso, a empresa, segundo detalha à Forbes Chile a gerente de marketing da VIK, Andrea García, decidiu investir US$ 6 milhões (R$ 33,6 milhões) em recursos próprios para expandir a capacidade de seu hotel. Essa divisão do negócio recebeu o prêmio de melhor Wine Hotel do mundo em 2025 pelo World Travel Awards.
O projeto está em execução e permitirá ampliar o número de acomodações de 29 para 43 quartos, com atenção especial ao segmento de altíssimo padrão: as suítes Puro Vik mais que duplicarão a quantidade atual, passando de sete para quinze unidades. O complexo dispõe também de bangalôs com decoração selecionada pelos próprios proprietários e vista de 360° para um parque privativo, cujas diárias nessas acomodações partem de US$ 600 (R$ 3.360).
A procura permanece elevada: em 2025, o local recebeu aproximadamente 30.000 pessoas entre visitas guiadas, refeições e hospedagens, sem contabilizar a festa da colheita (vendimia), cujos dados são relatados separadamente. Esse evento contou com a participação de 400 visitantes.
“A colheita de 2026 marcou uma alteração no porte do evento: pela primeira vez, o hotel operou de forma exclusiva para a programação, alcançando 57 diárias vendidas, 100% de ocupação e US$ 82.000 (R$ 459,2 mil) em receitas hoteleiras diretamente ligadas à data. Ou seja, deixou de atuar apenas como ação de divulgação da marca e passou a gerar receita direta para a hotelaria, além dos valores obtidos com patrocínios e com a venda de ingressos, que custavam cerca de US$ 500 (R$ 2.800). A colheita VIK consolida seu espaço, já na segunda edição no Chile, e as entradas antecipadas para a edição de 2027 já estão esgotadas”, explica García.
O evento ligado ao vinho estende suas atividades para o Brasil. No dia 26 de setembro, a marca realizará a segunda edição da colheita no país. A uma hora e meia de São Paulo, os empresários trabalham na construção do VIK Retreat, um resort de alto padrão voltado ao universo vitivinícola, projeto que recebe investimentos de US$ 100 milhões (R$ 560 milhões).
No Chile, as reformas em Millahue reestruturam o espaço focado no bem-estar. “O spa tradicional dá lugar a um centro wellness moderno, equipado com salas de privação sensorial, banho turco (hammam), sauna seca, sauna infravermelha, tanques para imersão em água fria (cold plunge) e água quente (hot plunge), hidromassagem, sala para a prática de ioga e academia completa”, detalha a executiva à Forbes.
O vinho como elemento central
Os aportes financeiros da VIK no Chile mantêm o vinho no centro das atenções. No encerramento do ano, estarão no mercado apenas 1.600 garrafas de um blend mediterrâneo, elaborado a partir de uvas cultivadas em vinhedos expostos a ventos constantes que conferem mineralidade específica à bebida.
O portfólio passa a contar também com os rótulos La Piu Belle Rosé, o Cabernet Nouveau 2026 e a apresentação da safra 2023 do vinho ícone VIK na distribuidora La Place de Bordeaux. As garrafas da linha principal são comercializadas por cerca de US$ 150 (R$ 840).
“Por outro lado, ocorrerá o lançamento de um vinho de estilo natural, com menor adição de sulfitos, a exemplo do STONEVIK, rótulo que alcançou boa aceitação e já se encontra em sua terceira safra (2025). O novo produto adota proposta semelhante, com intervenção reduzida, integrando uma das faixas de preço mais acessíveis da linha da VIK”, acrescenta a executiva.
Posicionamento no mercado de luxo

A vinícola de capital estrangeiro integra a Associação de Marcas de Luxo (AML) no Chile, entidade na qual a gerente de marketing da VIK, Andrea García, atua como secretária.
“A participação nesse grupo possibilita à VIK atuar em conjunto com marcas de alto padrão de setores complementares e fortalecer experiências do segmento no Chile, além de viabilizar acordos estratégicos, parcerias e eventos integrados entre companhias que atendem ao mesmo perfil de público”, aponta García.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes Chile
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