Durante milênios, o vinho nasceu quase exclusivamente da experiência humana. Na atualidade, nasce da experiência, mas também da interpretação dos mais variados tipos de dados. Será que a tecnologia ameaça a tradição ou será justamente ela que garantirá a sobrevivência do setor dos vinhos?
A recém inaugurada Adega do Cedro, conhecida como a Adega do Futuro, não representa apenas um edifício moderno, ela simboliza literalmente um momento de transição do setor vitivinícola português. Este setor, onde a tradição, a engenharia, a tecnologia, a inteligência de dados, a sustentabilidade, a gestão dos recursos hídricos e energéticos, e a produção de vinhos no terroir duriense deixam de competir entre si para trabalharem em conjunto e em sinergia com o foco na competitividade num dos setores econômicos mais marcados e abalados na atualidade.



Localizada em Godim, em Peso da Régua no vale do Douro em Portugal, é considerada pelos especialistas a mais moderna adega da Península Ibérica. Com capacidade de beneficiar oito milhões de quilos de uvas de 800 viticultores, provindas de cerca de seis conselhos da região demarcada do Douro. E esta valiosa matéria-prima é destinada tanto a produção dos vinhos do Porto como também aos DOC Douro. José Manuel Sousa Soares é o enólogo responsável, o arquiteto que assina a fabulosa estrutura é Alexandre Burmester e o investimento foi realizado pelo grupo francês La Martiniquaise-Bardinet, ao qual tem como Diretor-Geral em Portugal da Granvinhos o Eng. Jorge Dias. A Granvinhos que pertence ao gigante francês é líder do mercado na produção de vinhos do Porto e do vinho Madeira, despontando também como liderança portuguesa nas exportações.



A história de visão e de sucesso do grupo iniciou em 1934 quando o visionário francês Jean Cayard começou a vender vinho e espirituosos na França. É uma história de paixão e empreendedorismo, de uma empresa dinâmica e moderna que cresceu sem parar na França e, por anos, também no exterior, onde continua a escrever novos capítulos em sua história. O grupo hoje representa o 10.º maior grupo mundial de bebidas espirituosas, com um faturamento anual de cerca de 1,6 mil milhões de euros, está presente em 100 países, possui cerca de 3.800 colaboradores, 50 filiais e unidade de produção, e possui 5 marcas que vendem mais de um milhão de caixas por ano. O grupo tem estratégia diversificada e constrói um portfólio com diversas bebidas premium como whisky, rum, gin, licores, vinhos, enoturismo com hotel e restaurante.

A história de visão e de sucesso do grupo iniciou em 1934 quando o visionário francês Jean Cayard começou a vender vinho e espirituosos na França. É uma história de paixão e empreendedorismo, de uma empresa dinâmica e moderna que cresceu sem parar na França e, por anos, também no exterior, onde continua a escrever novos capítulos em sua história. O grupo hoje representa o 10.º maior grupo mundial de bebidas espirituosas, com um faturamento anual de cerca de 1,6 mil milhões de euros, está presente em 100 países, possui cerca de 3.800 colaboradores, 50 filiais e unidade de produção, e possui 5 marcas que vendem mais de um milhão de caixas por ano. O grupo tem estratégia diversificada e constrói um portfólio com diversas bebidas premium como whisky, rum, gin, licores, vinhos, enoturismo com hotel e restaurante.
Neste artigo descreverei alguns detalhes que pude conferir in loco em minha visita a nova Adega do grupo e convido você leitor ao final a uma reflexão entre as dualidades a partir de uma análise, entre tradição e inovação, entre memória e futuro, entre o homem e a tecnologia, entre a natureza e a engenharia, entre o patrimônio e o espírito de competitividade global.
O setor vitivinícola português e mundial vivem um dos momentos mais difíceis da história, com marcos históricos de decréscimo de consumo de vinhos, campanhas anti-álcool ganhando cada vez mais espaços sem separar o “joio do trigo”, estoques de produção que representam três anos de consumo global, custos de produção elevadíssimos, forte competição dos mercados internacionais e de outras bebidas, e desestímulo de muitos produtores que não possuem fôlego financeiro para suportar tanta pressão provindas de muitas frentes diferentes, inclusive intempéries da natureza que podem dizimar em poucos minutos o ano todo de trabalho nas suas vinhas.






Chamo atenção para este investimento em especial na Adega do Futuro realizado pela Granvinhos, devido os grandes grupos internacionais com projeções globais, só investirem onde acreditam existir um futuro. O investimento de 27 milhões de euros, o maior da história aportado pelo grupo francês em território nacional, vem demonstrar a confiança que o conglomerado de empresas de vinhos e espirituosos possuem na região do Douro. Fica claro que não estão investindo apenas numa adega, investiram no mais fabuloso Patrimônio Histórico Vitivinícola de Portugal, o Douro e na capacidade dos produtores durienses. Há fortes evidências que o investimento na construção da Adega do Cedro não é isolado, mas calçado numa estratégia de longo prazo de um dos maiores grupos mundiais do setor de vinhos e espirituosos.
A produção de vinhas e vinhos na região do Douro é o pilar sócio-econômico deste território marcado pelas dificuldades da geografia do território, faz parte do sustento direto e indireto de milhares de famílias, contribuindo com o desenvolvimento do interior de Portugal. O Douro é o terroir vitivinícola de maior vastidão de produção em área de montanha e também é a mais antiga região vitivinícola demarcada e regulamentada do mundo (1756). O vinho do Porto há séculos se tornou e ainda é o maior embaixador de Portugal no globo.
São inúmeros também os outros fatores que precisam ser levados em consideração e analisados quando se pensa em investimentos econômicos no Douro, pois contribuem com a geração de empregos qualificados, a valorização da produção regional, a modernização da indústria, maior capacidade de processamento produtivo, aumento da competitividade internacional e fortalecimento das exportações.
Esta moderna Adega do Cedro construída pelo grupo francês beneficia diretamente 800 viticultores da Região Demarcada do Douro, e quando uma empresa investe numa estrutura deste nível, não beneficia apenas os seus vinhos, mas sim toda a cadeia produtiva direta e indiretamente.
“Quando um dos maiores grupos mundiais do setor decide investir dezenas de milhões de euros numa nova adega no Douro, não está apenas a construir uma infraestrutura. Está a emitir um voto de confiança no futuro do vinho português.“
O projeto arquitetônico foi assinado pelo arquiteto português Alexandre Martins da Costa Burmester, e apresenta como destaque se integrar de forma harmoniosa com a paisagem do Alto Douro Vinhateiro. Uma das observações na arte deste projeto que observei in loco foi criação de uma forma estética na estrutura da Adega com as imagens dos socalcos construídos com xistos na região, seguindo a forma ondulada, ao qual seguem o próprio percurso da paisagem do Douro. O projeto procurou integrar o edifício na própria paisagem, buscando conciliar as características da funcionalidade de um centro de vinificação moderno com o enquadramento arquitetônico e paisagístico.
Outros detalhes além da monumental arquitetura compõem a estrutura do projeto e chamam atenção não só pelos números, mas também pela moderna tecnologia impregnada de inovação e rastreabilidade em cada etapa desde a recepção das uvas até o destino final do vinho produzido. Alguns números que partilho a seguir foram fornecidos pela nossa anfitriã, a colaboradora do grupo Andréia Teixeira, ao qual agradeço mais um vez a sua gentil hospitalidade.

Algo que impressiona quando adentramos a estrutura da Adega do Futuro são as dimensões, a amplitude de equipamentos é faraônica e a precisão em cada detalhe é regra. Antes dos produtores efetuarem a vindima se dirigem a Adega para recolherem as caixas modernas equipadas com rastreadores, e quando adentram o pátio da empresa após vindimarem continua o rastreamento através dos sensores que cada caixa possui. Internamente são 20 quilômetros de tubos em inox, são 40 quilômetros de cabos e sensores, são inúmeros gigantescos tanques e prensas e o controle de automação está em cada centímetro do projeto. O projeto foi pensando para uma economia de 40% do uso de energia e reutilizar 50% das águas residuais alinhadas com a Agenda Vine & Wine Portugal. Há um forte controle em toda a estrutura de produção dos vinhos, ao qual a equipe de enologia tem como forte aliado o uso dos dados coletados pelos modernos sensores para acompanharem e intervirem em qualquer etapa do processo, através de monitoramentos de sistemas de alta tecnologia que podem estar em telas ou em tabletes.









No fluxograma da planta observei por onde ocorre o trânsito e a recepção das uvas até a entrega, separação por parcelas/produtores, rastreabilidade, sensores em todos os pontos, automação fortemente implantada, software de gestão, uso da gravidade e também bombeamento, cubas e tanques gigantescos, prensas modernas, controles de temperaturas, higienização, logística interna, eficiência energética e hídrica, aplicação de segurança alimentar nos processos e higienização de equipamentos, laboratório e sala de provas.
Dentre as informações transmitidas uma me chamou ainda mais atenção e me fez refletir buscando observar por prismas diferentes, em período de vindima na Adega do Futuro trabalham 20 colaboradores, mas no restante do ano somente 3 profissionais estão dentro da planta diretamente.
Palavras Finais
Em Portugal a Granvinhos além de possuir outras plantas de produção de vinhos e outros investimentos, também participa como líder do consórcio Vine &Wine Portugal, que reúne dezenas de empresas, universidades e centros de pesquisas tecnológicos para acelerar a inovação do setor vitivinícola. Este programa já mobilizou de investimentos globais cerca de 86 milhões de euros, destinados ao desenvolvimento de mais de 40 novos produtos, processos e serviços ligados à digitalização, sustentabilidade, energias renováveis e eficiência produtiva, segundo dados disponíveis ao público.
O importante também é observarmos que este pujante grupo francês poderia ter investido na França, Espanha, Itália, Chile, Argentina ou África do Sul. No entanto, continua a aumentar seus investimentos em Portugal, o que nós faz imaginar que o grupo vê o país como ativo fundamental e estratégico no seu próprio futuro e também do setor. Estímulos pela estabilidade institucional, prestígio internacional dos vinhos portugueses, sobretudo do Porto e do Douro, e a capacidade de crescimento em diferentes segmentos do setor também podem ter contribuído para o investimento vultoso na Adega do Cedro.
Finalizo com uma reflexão sobre as dualidades citadas no início do texto, quando vemos diariamente a vitivinicultura padecer por tantos e variados desestímulos, forçando muitos produtores a buscarem outras atividades para as suas subsistências, pois o valor pago pelas uvas nem compensam colhê-las. Vemos por outro lado a importância do poder do capital com capacidade de suportar as crises e as ultrapassa-las preservando assim uma das mais importantes atividades agroalimentares da história da humanidade, a vitivinicultura.
Neste desfecho não partilho os incontáveis motivos da crise no Douro, em Portugal, na Europa e no Mundo em que o setor enfrenta, o meu desejo é expor o novo investimento de um grupo que ainda acredita que vale a pena colocar seu capital na cadeia de valor do vinho, e para tal usaram a estratégia de tecnificar com máxima eficiência todas as etapas dentro da Adega e tentar resguardar e preservar as atividades dos 800 produtores que lhes fornecem uvas provindas dos socalcos do Patrimônio Mundial da Humanidade, o Alto Douro Vinhateiro. Gostaria de conhecer o que você leitor pensa e qual o seu ângulo de visão perante este assunto nos comentários abaixo.
Saudações Báquicas!
Desejo boas provas com bons vinhos e saúde!

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