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Como a Silvio Carta Leva a Botânica da Sardenha para Dentro de Seus Destilados

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Na costa oeste da ilha da Sardenha, na região de Oristano, na Itália, a Silvio Carta, empresa familiar em sua terceira geração, situa-se a cerca de nove quilômetros (seis milhas) do mar, distância próxima o suficiente para que o clima marítimo da ilha molde a vegetação ao redor.

Pés de zimbro, arbustos de murta, vinhedos e ervas aromáticas prosperam sob a influência do Mistral, o vento forte de noroeste que sopra sobre a Sardenha durante todo o ano.

A Silvio Carta é uma tradicional vinícola e destilaria familiar italiana localizada, fundada no início dos anos 1950 por Silvio Carta. Originalmente focada no clássico vinho Vernaccia di Oristano, a empresa expandiu-se sob a liderança de seu filho, Elio Carta, tornando-se mundialmente famosa pela produção artesanal de destilados e licores que celebram a biodiversidade e a botânica local da Sardenha.

Nino Mason Carta, neto de Silvio Carta, diz que o vento carrega o sal marinho para o interior, o que confere um aroma mais intenso às ervas e botânicos colhidos à mão para a produção dos destilados. “Quando se chega à Sardenha, especialmente no verão, o cheiro da murta é marcante”, afirmou Nino. “Para nós, é o primeiro aroma da Sardenha”.

Botânicos da Sardenha no Movimento da Coquetelaria

Getty ImagesClose-up de bagas de murta, Sardenha, Itália (Myrtus communis)

Ao direcionar a atenção aos botânicos locais, os destilados da Silvio Carta acompanham as tendências atuais do setor de bebidas. A IWSR, instituição que monitora dados do mercado global de bebidas alcoólicas, aponta a “premiumização seletiva” como um fator determinante. As preocupações com a saúde e os orçamentos mais restritos levam os consumidores a beber menos, optando, contudo, por produtos de maior qualidade quando o fazem.

Os botânicos cultivados localmente funcionam como um indicativo dessa premiumização. Eles entregam sabor, complexidade e uma clara identidade de origem. No caso da Silvio Carta, a murta da Sardenha, o zimbro, o alecrim, a Sálvia e os frutos cítricos ajudam a levar o aroma e a autenticidade da ilha ao consumidor.

Além disso, a empresa conta com outro elemento personalizado que a diferencia. “Utilizamos apenas ervas que nós mesmos cultivamos”, declarou Nino.

A Destilação Tradicional Encontra um Portfólio Moderno

ETTORE CAVALLI, FOTO CORTESIA DE SILVIO CARTAVermute Silvio Carta e Murta Vermelha

Fundada em 1950, a empresa concentrava suas atividades originais na vinificação e destilação tradicionais, expandindo-se ao longo das gerações para se tornar uma ampla produtora de bebidas. Seu portfólio de destilados abrange gin, vermute, bitters e amari, licores de limão, laranja e alcaçuz, Grappa di Vernaccia e diversas versões do digestivo de murta, um clássico local.

Atualmente, a empresa produz cerca de 1,5 milhão de garrafas por ano, somando suas divisões de vinhos e destilados.

“Na Silvio Carta, não tentamos imitar destilados clássicos; buscamos expressar a própria Sardenha. Cada garrafa é uma interpretação da nossa ilha, de seus aromas, de sua paisagem e de sua história”, afirmou Nino. “Quando alguém aprecia um de nossos destilados, espero que não descubra apenas um ótimo gin, vermute ou licor, mas sim uma sensação autêntica de lugar”.

Getty ImagesÁrvore de zimbro na praia de Berchida. Siniscola, Sardenha, Itália

O zimbro figura entre os elementos mais intensos dessa paisagem. O zimbro da Sardenha exibe grande intensidade aromática, sobretudo quando cresce perto da costa. O Giniu Gin da Silvio Carta recebe seu nome a partir da palavra em dialeto sardo para zimbro, estabelecendo a planta e a cultura local no centro da identidade do produto.

O elemento de ligação é a própria ilha. “Não se trata de vegetação mediterrânea genérica”, disse Mason. “É verdadeiramente a vegetação da Sardenha”.

A Murta como Assinatura Cultural

ETTORE CAVALLI CORTESIA DE SILVIO CARTASilvio Carta Murta Vermelha

A receita familiar do digestivo de murta data de 1939, época em que as bagas da planta ajudavam na subsistência da população local durante a escassez de alimentos. Para conservar os frutos, a avó de Elio Carta, Anna Maria Perra, colocou as bagas em destilados já produzidos pela família, estabelecendo a base do que se tornou a receita histórica de murta da casa.

A murta permanece como ingrediente de destaque em todo o portfólio. A Silvio Carta elabora tanto o Mirto Rosso, feito a partir de bagas escuras, quanto o Mirto Bianco, produzido com as folhas da planta. As folhas geram um licor mais aromático e delicado, enquanto as bagas conferem mais taninos, frutado e concentração.

O estilo tradicional era intencionalmente mais seco do que muitas versões comerciais. “Historicamente, quando as avós preparavam a bebida em casa, o açúcar custava caro”, explicou Nino. “Elas usavam pouca quantidade, o suficiente para equilibrar o tanino das bagas”. As receitas de murta da Silvio Carta mantêm essa mesma prática.

Licores Cítricos, Aperitivos e Alcance Internacional

SILVIO CARTASilvio Carta Sard Licor de Laranja

Os licores cítricos da Silvio Carta oferecem outra demonstração de identidade local. Seus rótulos Limonello e o licor de laranja utilizam frutas cultivadas na região, incluindo laranjas de Milis, um vilarejo reconhecido pela qualidade de seus frutos cítricos.

Seus vermutes e bitters foram elaborados para apresentar versatilidade na coquetelaria e consistência bastante para o consumo puro. A recomendação da casa é servi-los de forma simples: bem gelados ou sobre pedras de gelo com raspas de limão.

No entanto, Carta relatou que, em um evento em Almaty, no Cazaquistão, um bartender combinou o aperitivo Spinello da Silvio Carta com gin e licor de marrasquino, direcionando o produto para uma proposta diferente.

O ponto mais relevante para a família é expressar a ilha mediterrânea em seus produtos. “A Sardenha é um dos poucos lugares do Mediterrâneo onde a natureza preservou uma identidade extraordinária. O vento Mistral constante que atinge nossa costa o ano todo, a proximidade com o mar, a luz solar intensa e a biodiversidade única conferem aos nossos botânicos características impossíveis de replicar em outro lugar”.

O futuro da Silvio Carta caminha para a manutenção de suas raízes sardas. Seus botânicos insulares, sabores marcantes e gerações de conhecimento familiar garantem à casa uma qualidade valorizada pelo mercado atual de destilados: caráter e autenticidade.

A Itália segue como o maior mercado da empresa, mas a Silvio Carta também realiza exportações internacionais, incluindo vendas para os Estados Unidos.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Notícias e Conteúdos sobre vinhos na Forbes Brasil