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Valdarno di Sopra: precisão, identidade e um salto qualitativo

02Marcelo Copello, direto do Anteprime Toscana 2026

Estou na Toscana para o Anteprime Toscana 2026, a grande semana de degustações que apresenta ao mundo as novas safras das principais denominações da região. Entre Chianti Classico, Brunello e Nobile, uma denominação em especial vem chamando atenção crescente da crítica internacional: Valdarno di Sopra DOC.

Participei do Valdarno di Sopra Day, que reuniu 90 jornalistas de 19 países. Ao longo da degustação provei cerca de 50 vinhos, o que me permitiu ter uma visão bastante clara do momento atual da denominação. Ao final desta matéria, listo os 15 vinhos que mais me impressionaram.

 

Onde fica e qual sua história

Valdarno di Sopra está situada entre Florença e Arezzo, ao longo do vale superior do rio Arno — daí o nome “Valdarno di Sopra” (Alto Valdarno). Trata-se de uma área historicamente ligada à viticultura, mas que durante décadas permaneceu fora do grande radar internacional.

Um ponto interessante — e pouco conhecido — é que o território foi delimitado oficialmente já em 1716, por um decreto de Cosimo III de’ Medici, o mesmo que estabeleceu os limites de Chianti, Carmignano e Pomino. Ou seja, estamos diante de uma área com reconhecimento histórico secular.

A DOC moderna foi criada apenas em 2011, e desde então o movimento tem sido claro: menos volume, mais identidade e foco crescente na expressão de vinhedos específicos (“vigna”).

 

Terroir: altitude, solos e frescor

O território é marcado por colinas que variam de 150 a mais de 600 metros de altitude. Essa amplitude altimétrica é um dos fatores-chave da qualidade atual dos vinhos.

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Os solos são variados, com presença de argilas, arenitos, galestro e áreas mais pedregosas. A combinação de altitude, boa ventilação e amplitude térmica favorece maturações equilibradas, preservando frescor e tensão — características que aparecem com clareza nos melhores exemplares degustados.

O resultado, nos vinhos mais precisos, é um perfil de fruta madura, mas contida, com acidez firme e textura refinada. Há estrutura, mas raramente excesso.

 

Castas: tradição e abertura

Valdarno di Sopra trabalha tanto com castas internacionais quanto com variedades tradicionais da Toscana.

Nos tintos, encontramos principalmente sangiovese, além de cabernet sauvignon, merlot e syrah. O estilo dominante hoje parece buscar mais elegância do que potência.

Nos brancos, a grande protagonista é a trebbiano, que passa por uma fase muito interessante de reinterpretação qualitativa. Em vez de vinhos neutros e simples, encontrei exemplares com textura, profundidade e ótima capacidade gastronômica.

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O foco crescente nos vinhos de vinhedo (“vigna”) — muitos deles com condução orgânica — indica uma direção clara: identidade territorial acima de fórmulas padronizadas.

 

Impressões gerais

Após provar cerca de 50 vinhos, posso afirmar que Valdarno di Sopra vive um momento de consolidação qualitativa.

Não se trata de uma denominação explosiva ou de marketing agressivo. O que se percebe é consistência. Os melhores produtores demonstram:

  • maior precisão na maturação
  • uso mais comedido de madeira
  • busca por frescor e equilíbrio
  • valorização do vinhedo específico

É uma região que parece ter decidido crescer com coerência.

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Meus 15 destaques do Valdarno di Sopra Day 2026

NOTA/VINHO/SAFRA/PRODUTOR

93 Carnaciale Botte Grande + 2022 Podere Il Carnaciale

93 Il Caberlot 2022 Podere Il Carnaciale

93 Galatrona 2023 Petrolo

92 Pipillo 2024 Fattoria Bellosguardo

92 Torrione 2023 Petrolo

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92 Oreno 2023 Tenuta Sette Ponti

91 Vigna delle Sanzioni 2023 Vigna delle Sanzioni

90 Lora 2025 Cantina Le Pietre

90 Polissena 2021 Il Borro

90 Petruna in Anfora 2021 Il Borro

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90 Bòggina A 2023 Petrolo

90 Campo Lusso 2022 Petrolo

90 La Corneta Rosso 2023 Tenuta La Corneta

90 Vigna dell’Impero 2020 Tenuta Sette Ponti

90 Osato 2025 La Salceta

 

 

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Fonte:

Comer & Beber – VEJA RIO