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O Descendente de um Papa por trás de um dos Vinhos Mais Icônicos da França

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Descendente da família Barberini, de onde saiu o papa Urbano VIII (1568-1644), Florent Lançon carrega um sobrenome ligado à história da Igreja e do vinho. À frente da Domaine de La Solitude, com origens por volta do século XV e ligada a uma das famílias mais antigas de Châteauneuf-du-Pape, no sul do Vale do Rhône, na França, ele representa a oitava geração no comando da casa. O francês desembarcou no Brasil pela primeira vez, há algumas semanas, para uma agenda com a Zahil Importadora, responsável por trazer seus vinhos ao país.

Hoje, a Domaine de La Solitude elabora cerca de 500 mil garrafas por ano, com 70% desse volume destinado ao mercado externo. Os Estados Unidos aparecem entre os destinos relevantes, enquanto o Brasil ainda representa cerca de 1% desse mercado. Para Lançon, porém, o potencial é maior. “É uma grande chance para nós porque a palavra Châteauneuf é muito forte”, disse em entrevista exclusiva à Forbes Brasil.

A propriedade tem 37 hectares em denominação de origem Châteauneuf-du-Pape e cultiva as 13 variedades tradicionais da região. O trabalho é majoritariamente manual e conduzido sob princípios orgânicos, com atenção à biodiversidade, à preservação do solo e à integração do vinhedo ao ecossistema local. Lançon resumiu o caminho adotado pela casa nos últimos anos com duas frases diretas: “Precisamos ser orgânicos” e “respeitar a natureza”.

O discurso vem acompanhado de mudanças na operação. Lançon disse que sua equipe vem trabalhando também com sustentabilidade da energia e agricultura regenerativa. Especialista em florestas, ele associa a viticultura ao equilíbrio ambiental e fala em manter o estilo da propriedade, mas com ajustes. “Mantemos o mesmo estilo, com algumas mudanças”, afirmou.

Essas mudanças passam também pelo portfólio. Em Châteauneuf-du-Pape, a Grenache segue dominante, mas Lançon indicou que enxerga espaço para reposicionar a produção branca dentro da região. Hoje, segundo ele, apenas 9% de Châteauneuf-du-Pape é vinho branco. Sua meta é elevar essa participação dentro da própria estratégia da casa. “Quero 30% de branco”, disse. Ao mesmo tempo, reconheceu que essa transição não pode ser acelerada em poucos anos.

A leitura dele é também de mercado. Em países como Taiwan e Japão, segundo Lançon, a divisão entre branco e tinto já se aproxima de 50% a 50%. Esse movimento ajuda a explicar por que a discussão sobre o futuro de Châteauneuf-du-Pape, para ele, passa não só pela preservação da tradição, mas também pela ampliação do espaço dos brancos em uma região historicamente identificada com tintos de base Grenache.

Os rótulos disponíveis no Brasil

Os rótulos da vinícola disponíveis no Brasil ajudam a traduzir essa amplitude. O Domaine de La Solitude Côtes du Rhône Blanc (R$ 245) é um branco orgânico de corpo médio, elaborado com Clairette, Viognier e Grenache Blanc, com textura macia, frescor equilibrado e notas cítricas com leve toque salino. O Domaine de La Solitude Côtes du Rhône Rouge (R$ 245) reúne Grenache, Syrah e Mourvèdre vinificados em tanques de cimento, com fruta vibrante, especiarias e taninos delicados.

A seleção incluiu ainda o Famille Lançon Bellecoste Gigondas Rouge (R$ 634), um tinto de altitude com parte do estágio em barricas francesas usadas, descrito como estruturado, concentrado e de final longo. Entre os brancos, há ainda o Domaine de La Solitude Châteauneuf-du-Pape Tradition Blanc (R$ 923), de produção limitada, parcialmente fermentado em inox e barrica e mantido por 10 meses sobre lias.

À frente da oitava geração de uma das vinícolas mais icônicas da França, Florent Lançon deixa claro que o desafio não está em romper com a história, mas em conduzi-la para uma nova etapa. O movimento ajuda a explicar a fase atual da Domaine de La Solitude.

De um lado, a casa mantém um vínculo direto com uma das denominações mais tradicionais do Rhône e com um legado familiar de séculos. De outro, trabalha para ampliar sua presença internacional em mercados onde ainda vê espaço para crescer, como o Brasil. No centro dessa equação está Florent Lançon: um descendente de um papa que hoje conduz um dos nomes mais tradicionais de Châteauneuf-du-Pape entre herança, mercado e transformação.

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Notícias e Conteúdos sobre vinhos na Forbes Brasil