Após conquistar prêmios a torto e à direita pelo mundo por seu azeite premium brasileiro, a Sabiá agora entrou em mais uma empreitada: o mundo das borbulhas. A inquietação dos fundadores, Bia Pereira e Bob Costa, levou a dupla a dividir suas terras de oliveiras em Encruzilhada do Sul (RS) com vinhedos, para produzir seus primeiros rótulos de espumantes.
Batizado de Cave Sabiá, o projeto marca a estreia da marca na vitivinicultura com a proposta de aplicar aos espumantes o mesmo rigor técnico que transformou o azeite da casa em um dos mais reconhecidos do hemisfério sul, com 165 prêmios mundialmente desde seu lançamento, em 2020. A ideia é fazer “rótulos de altíssima qualidade, não em quantidade” e três tipos estão planejados – um deles já disponível no mercado.
“Queríamos diversificar o negócio e pensamos em espumantes porque o Brasil, especialmente o sul, é um grande produtor dessa bebida. Como já tínhamos a plantação de olivas, decidimos comprar mais uma área e plantar uvas”, já havia explicado Bob à Forbes no ano passado.
Para a missão, eles trouxeram reforço de peso: a enologia é assinada pelo italiano Massimo Azzolini, especialista e referência global no método clássico (champenoise) com 30 anos de bagagem em regiões icônicas como Franciacorta e Trento. Ele já mantém uma parceria com a marca brasileira desde 2018: no verão, passa os dias na Europa, e vem ao Brasil durante o inverno europeu.

A escolha pelo Rio Grande do Sul também não foi aleatória. Além de ser onde o casal já cultiva e processa grande parte da sua produção de azeites premium, a região de Encruzilhada do Sul oferece o cenário ideal para a maturação lenta das uvas: um planalto ventilado de grande amplitude térmica, diz Azzolini, capaz de preservar a acidez necessária para borbulhas de alta gama.
“O microclima, a capacidade de conduzir a viticultura de modo racional e o controle de temperatura fizeram com que, logo na primeira produção, obtivéssemos resultados muito interessantes”, explica o enólogo. A Cave Sabiá, segundo eles, foi a primeira a vinificar em Encruzilhada – a região é cercada por vários produtores, como Casa Valduga, mas que apenas cultivam ali, e processam as uvas em outro lugar.
Para quem estava acostumado com a dinâmica do azeite, a transição para o vinho trouxe uma estranheza: a espera. “Estamos acostumados a extrair azeitonas e, no mesmo dia, o produto já estar maravilhoso para consumo. É uma ansiedade muito grande ter que esperar três ou quatro anos para fazer um espumante especial”, confessa Bia.
O que vem por aí (e o que já está na taça da Sabiá)
Com as primeiras videiras plantadas em 2020, a Cave Sabiá chega agora ao mercado com três rótulos planejados, todos elaborados com uvas da safra 2024, mas em estágios diferentes de lançamento. A safra de 2025 ainda está em maturação.
O cartão de visitas, já disponível, é a Grande Cuvée. Trata-se de um corte de Chardonnay (90%) e Pinot Noir (10%), com 18 meses de maturação e dosagem Brut (6g de açúcar). É o único pronto para comercialização agora, com uma tiragem de 15 mil garrafas.
Para o futuro próximo, a marca guarda dois produtos que ainda repousam nas caves: o Cuvée Beatriz, uma homenagem à fundadora, feita com 80% Chardonnay e 20% Pinot Noir, sem adição de açúcar, mais estruturado e pensado para evoluir por 24 meses; e o Blanc de Blanc, 100% Chardonnay, Extra Brut e também com longa guarda (36 meses). Ambos têm 1.200 garrafas da safra 2024, cada.
A meta da Cave Sabiá em cinco anos, segundo Bob, é atingir uma produção de 150 mil garrafas por ano.
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