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Conheça a receita de Ceasar Salad na versão brasileira

Quando se trata de cozinhar, receita é fundamental. Mas é o improviso que faz nascer novos pratos que entram para o repertório de determinadas culturas. Um deles é a Caesar Salad, que nasceu de forma repentina e criativa como uma solução rápida. O nome e a presença massiva no cardápio de restaurantes nos Estados Unidos me remetia para uma origem americana, ledo engano. Esta salada é mexicana.

Em julho de 1924, em Tijuana, o restaurante Caesar’s, do imigrante italiano Caesar Cardini, estava lotado. O feriado americano do Dia da Independência tinha trazido clientes demais e a cozinha estava quase sem ingredientes. Foi aí que Cardini improvisou com o que havia: alface romana, ovos, azeite, limão, molho inglês, pão torrado e queijo parmesão. Ele criou um molho na hora, na própria travessa, diante dos clientes. Um gesto teatral, cheio de charme, bem no estilo italiano de ser. O prato fez sucesso imediato.

Os clientes eram americanos de Hollywood, que cruzavam a fronteira nos tempos da Lei Seca para comer, beber e se divertir e voltaram para Los Angeles encantados. A fama da salada viajou com eles. Em 1953, a International Society of Epicures, em Paris, a elegeu como a maior receita originada nas Américas nos cinquenta anos anteriores. Um feito e tanto para uma salada de improviso. O que faz com que a gente ache que é uma receita americana é que ela foi eleita a melhor das Américas, sendo que, na verdade, conquistou o sucesso nos Estados Unidos depois de ter sido criada no México.

Agora, dois detalhes que vão te surpreender. O primeiro é que Caesar Cardini nunca usou anchova na receita original. O sabor intenso e salgado que muitos associam ao molho vinha apenas do molho inglês. A anchova entrou depois, pelas mãos de outros cozinheiros que foram adaptando a receita ao longo do tempo. O segundo,  e este é para nós brasileiros, é que a receita original não leva nenhuma tira de frango grelhado.

O frango chegou muito depois, quando a salada atravessou fronteiras e foi se adaptando aos costumes locais. Nos Estados Unidos, virou opção de almoço executivo. No Brasil, em alguns casos, entrou até como prato principal: farto, protéico, do jeito que gostamos. Hoje é quase impossível encontrar um cardápio brasileiro que sirva a salada Caesar sem o frango – juro que já vi substituírem por salmão.

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A receita original era só isso: alface, molho, croutons e parmesão. Simples, leve e elegante como o gesto de um chef italiano em pânico numa cozinha de sucesso no México.

RECEITA: Ceasar Salad

INGREDIENTES: (Molho) 1 gema, 1 dente alho, Suco de 1 limão, 1 colher de chá de molho inglês, 1 colher de chá mostarda Dijon, 100 ml de azeite extra virgem, 50 g parmesão ralado, sal e pimenta a gosto e 4 filés de anchova em conserva. (Salada): 2 pés de alface americana, croutons de pão italiano tostado no azeite com alho, lascas de parmesão para finalizar e frango grelhado em tiras (inevitável para nós brasileiros!)

MODO DE PREPARO: No bowl que vai servir, misture bem a gema com o alho, o limão, o molho inglês e a mostarda. Acrescente o azeite em fio, como uma maionese, até emulsionar. Junte o parmesão ralado, ajuste o sal e a pimenta. Rasgue a alface com as mãos (nunca corte, para não oxidar). Misture com o molho, as folhas vão se misturando com o molho no fundo do bowl. Por último, acrescente os croutons e finalize com lascas generosas de parmesão. Se quiser o frango, grelhe temperado só com azeite, sal e pimenta. Deixe a estrela ser o molho. Sirva imediatamente.

Elisa Mendes de Almeida, jornalista carioca e criadora de conteúdo, é autora de dois livros de receita – Cozinhar é Doar e Cozinhar é Amar. Foi apresentadora de telejornais da TV Globo, TV Manchete, Rede TV e TVE, e hoje se dedica à sua paixão pela gastronomia e à boa mesa. Siga o perfil no Instagram  e o Canal no Youtube para mais receitas.

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Fonte:

Comer & Beber – VEJA RIO