Na atualidade é comum nos mais diferentes pontos da cadeia do vinho o tema de conversa ser a queda do consumo mundial desta bebida milenar. Segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho(OIV), de 2015 a 2024 ocorreu uma queda de 11% no consumo de vinho a nível global, e em 2024 foi registrado o menor consumo desde 1961. Existem alguns importantes pontos que valem a pena serem lembrados sobre as causas e a complexidade que este tema envolve, e que de fato é uma realidade que está ocorrendo dentro deste setor econômico tão importante a tantas regiões vinhateiras pelo mundo.

A enorme inflação mundial é uma das causas apontadas, e esta foi gerada pelas políticas de variados governos e teve o pico pós Pandemia, com consequências do aumento nos preços em toda a cadeia de insumos e de consumo. A mudança de estilo de vida das pessoas, onde antes consumiam vinhos em quantidades e com regularidade, e agora são mais seletivos, reservando a momentos mais especiais. Uma forte queda desde 2018 do consumo de vinho pela China, que vinha fazendo compras expressivas até então. As guerras, taxações elevadas e instabilidades econômicas também contribuem na arquitetura deste decréscimo de consumo. Mas a causa mais exaltada desta complexa problemática, tem sido apontado a mudança geracional de consumo para as novas gerações, que estão consumindo cada vez menos bebidas que contenham álcool. Este artigo tem o enfoque em partilhar dados sobre as gerações, consumos por continentes e gerar reflexões para melhores tomadas de decisões por parte de quem trabalha dentro do setor, e se você for consumidor, este texto pode contribuir com a ampliação da sua percepção sobre este tema.
Divisões das Gerações
Nos principais estudos de marketing e hábitos de consumo, se costuma classificar a população humana em gerações. Tendo as mais citadas e suas respectivas idades em 2026, as dos Baby Boomers (62-80 anos), Geração X (46-61 anos), Millennials ou Geração Y (30-45 anos), Geração Z (14-29 anos) e a mais nova Geração Alpha (até 13 anos). Segundo dados globais da ONU (2024-2025), 70% da população global tem menos de 45 anos, 47% da humanidade está dentro da geração Z e Alpha e 15% representam os Baby Boomers e pessoas mais idosas.
Quando tiramos os olhos do âmbito global e tentamos refinar os dados fazendo um breve resumo por continentes, o que temos como realidade pode nos dar muitos caminhos e análises sobre o mercado do vinho, e do seu consumo em determinadas regiões do mundo. Apesar de não existir um quadro oficial desses números, os números a seguir estão embasados em dados da ONU e de estudos regionais, onde nos mostram um retrato relativamente fiel a realidade.
Continente Africano
No continente africano a população mais dominante está na geração Z e na geração Alpha, representando mais de 60% da população, apresentam alta taxa de natalidade e forte crescimento da geração Alpha. Avalia-se um mercado emergente para o consumo de vinho no futuro.
Continente Asiático
Já na Ásia há o maior peso populacional global, com uma distribuição equilibrada, mas jovem, os Millennials representam aproximadamente 24%, e as gerações Z e Alpha também são fortes. Ocorre uma mistura entre mercados maduros como o do Japão e o da Coreia, e mercado jovem com o da Índia e do sudeste asiático. Estima-se 1,1 bilhão de Millennials só na Ásia. Esta área do globo pode representar para alguns setores ao qual inclui o do vinho um bom consumo na atualidade e estão muito voltados e fortes na digitalização das vendas.
Continente Europeu
O velho continente Europeu marca a forte presença das gerações Baby Boomers e da geração X, há uma menor prevalência da geração Alpha, apresentam baixa natalidade e a população caracteriza-se pelo envelhecimento. Quanto a análise de consumo, é um mercado maduro, mais estável, mais sofisticado e tradicional. De modo geral no continente Europeu há um alto consumo de vinhos premium e a cultura está consolidada.
América Latina
O perfil de consumidores dentro da América Latina é predominantemente de Millennials e geração Z, com base jovem, mas já em transição. Ocorre um forte consumo aspiracional, uma grande influência cultural vinda da cultura europeia e se tornou um forte mercado digitalizado. Importante ressaltar que o Brasil representa 33% do total desta população latino-americana e caribenha, com 213 milhões de pessoas (2025), seguido do México com 130 milhões de habitantes, este território latino-americano supera os 660 milhões de pessoas. Outro dado curioso é que a população brasileira sozinha representa cerca da mesma quantidade da soma de todos os outros países da América do Sul, evidenciando não só a grandeza do seu território continental, mas a do seu poder de consumo. O país tem se destacado a nível global em crescimento no consumo de vinhos e os produtores tradicionais de mercados consolidados estão investindo pesado nestes potenciais clientes.
América do Norte
Na América do Norte a distribuição está relativamente equilibrada. Os Millennials e a geração Z lideram com aproximadamente 40% da população. Já os Baby Boomers ainda marcam com significância o peso econômico do consumo. Este mercado é marcado por ser “híbrido”, onde há de um certa forma valorização da tradição, onde os vinhos Europeus são muito consumidos, mas também são altamente abertos a inovação e novas descobertas de produtores.
Oceania
Nesta área remota do globo com 14 países, representam 0,6% da população global e 60% destes estão concentrados na Austrália, há uma distribuição semelhante ao da América do Norte, com forte presença de Millennials de aproximadamente 22% da população.
Reflexões Finais
Segundo esses dados partilhados podemos concluir que o mundo atual é jovem, com a geração Z e geração Alpha com a dominância global. A partir disto é importante ajustar e redefinir linguagem, consumo e cultura. Mas a riqueza monetária ainda está nas mãos dos Baby Boomers e da geração X, especialmente no continente Europeu e na América do Norte.
O mundo está dividido em três grandes grupos. Primeiro (Europa e Japão) com os Baby Boomers e geração X dominando estes territórios e apresentando características de estabilidade de vida e valorização da tradição. Segundo (África, Índia, Sudeste Asiático) com as gerações dominantes sendo a Alpha e a geração Z, marcados pela característica de serem uma boa aposta de crescimento para o futuro. E o terceiro ( EUA, América Latina ) com as gerações Z e os Millennials mais presentes, apresentam a principal característica de transição.
Com uma lente mais afunilada podemos traduzir que o consumo de vinhos premium é mais presente e apurado na Europa pelos Baby Boomers e geração X. O ponto de inflexão é que o aumento ou continuação do consumo de vinho no futuro dentro do mercado global depende de uma nova linguagem e adequação a geração Alpha e geração Z, onde deve-se levar em conta os fatores que seduzem essas gerações. A geração dos Millennials marca a ponte entre a tradição e as novas inovações do setor, são os que estão na atualidade difundindo a cultura do vinho em muitos casos, mas com mais moderação, levando em conta o valor da experiência e da qualidade dos vinhos.
Resumidamente, este texto direciona onde estão os consumidores e suas potencialidades segundo as características das suas gerações. Cabe a cada produtor, entidade e mercado atentar em estudar onde o seu produto se adequa e fomentar a comunicação e ações de venda ao seu público alvo. Desejo boas escolhas, bom trabalho, e que seus frutos possam ajudar a levar a cultura vínica a mais oito mil anos de história.
Saudações Báquicas e Saúde!
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