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Dez motivos para brindar a ciência e tomar vinho com moderação

Nest terça, 7, vale erguer um bom brinde, em nome do Dia Mundial da Saúde, comemorado nesta data desde 1948, por iniciativa da Organização Mundial da Saúde. O lema de 2026 é “Juntos pela saúde, apoie a ciência”, numa tradução livre.  Ele pode ser lido da seguinte forma no mundo dos vinhos: é importante a moderação no consumo, mas sem economizar na dose de bom senso científico

Em São Paulo, um simpósio recente sobre vinho, saúde e estilo de vida reuniu médicos e pesquisadores para fazer o que mais falta no debate atual: separar evidência de alarmismo. Um dos palestrantes era o espanhol Ramon Estruch, consultor sênior do Hospital Clinic de Barcelona e referência mundial quando o assunto é dieta mediterrânea. Ao seu lado, estiveram especialistas como os cardiologistas Protásio da Luz, professor titular do Incor (FMUSP) e Jairo Monson, pesquisador e autor do livro “Vinho é Saúde”.

Um grande estudo, coordenado pela Universidade de Navarra (UNATI), na Espanha, deve ficar pronto em 2029, e promete combater muita desinformação e manchetes simplistas que fazem mais mal do que vinho falsificado. “A notícia de que não há dose segura, já foi amplamente contestada pela comunidade científica, é uma interpretação não baseada em metanálise, disse Monson, referindo-se ao estilo de pesquisa que une diversos estudos sobre o mesmo tema e analisa todos os dados disponíveis para uma conclusão mais robusta. Por ora, o que se pode dizer é que a ciência não pede abstinência radical nem libera geral. Pede algo bem menos chamativo — e muito mais difícil de viralizar: equilíbrio.

Aqui, um resumo do que realmente importa sobre o assunto (em bons goles de objetividade):

1. Moderação não é detalhe, é premissa
Uma taça por dia para mulheres, duas para homens. “Economizar” a semana para beber tudo de uma vez não entra na conta — entra como risco e zera qualquer benefício.

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2. Polifenóis: os protagonistas discretos
Presentes sobretudo no tinto, são compostos associados à proteção cardiovascular. Em doses corretas, ajudam a reduzir a incidência de infarto e AVC.

3. O contexto também conta — e muito
Vinho à mesa com água e comida, acompanhado de amigos e amores, não é só charme: está ligado à redução do cortisol (o hormônio do estresse) e da inflamação sistêmica. Beber sozinho, com a cara no computador ou celular já é outra história (triste e insalubre).

4. Sem estilo de vida saudável, não há milagre
Peso controlado, nada de cigarro, cerca de seis horas semanais de atividade física e uma dieta equilibrada (de preferência mediterrânea, segundo Estruch) fazem parte do pacote. O vinho não compensa excessos — ele acompanha bons hábitos.

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5. Zero álcool: nem sempre a solução óbvia
Vinhos desse tipo podem perder parte dos polifenóis no processo e, em alguns casos, ganhar açúcar a mais para ficar palatável. Resultado: não necessariamente ideal para quem quer emagrecer ou precisa controlar diabetes.

6. Risco existe, mas não é simples (nem único)
Mulheres com histórico de câncer de mama podem ter um aumento de risco — de cerca de 15% para 16,5% — associado ao consumo de álcool. Isso não transforma o vinho no vilão central: a doença é multifatorial, como lembra Laura Catena, médica formada por Harvard e Stanford e da quarta geração de viticultores. Por outro lado, há estudos que indicam redução de risco em alguns tipos de câncer, como os de tireoide, rim e doenças hematológicas. A recomendação segue sensata: individualizar. Converse com seu médico para entender se esse consumo é ou não prejudicial a você. E, na prática, uma ou duas taças por semana, bem acompanhadas, tendem a fazer mais pelo seu bem-estar do que qualquer radicalismo.

7. Álcool + canetas emagrecedoras: combinação arriscada
A presidente da Associação Brasileira de Sommelier do Rio Grande do Sul (ABS_RS), Caroline Dani, biomédica de formação com pós doutorado na Georgetown University, lembra que álcool e as canetas emagrecedoras podem ser uma harmonização desastrosa. “Ambos são metabolizados no fígado, o que pode sobrecarregar o órgão”, alerta a especialista. Se você está usando essa medicação a recomendação dela é pausar a tacinha, inclusive na sexta-feira, durante o tempo de uso do medicamento.

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8. Nem todo álcool é igual — e o vinho tinto leva vantagem
O vinho tinto contém polifenóis, compostos que ajudam a amenizar os efeitos nocivos do álcool e potencializam benefícios associados à saúde. Já os destilados concentram muito mais álcool e não oferecem esses compostos, enquanto os vinhos brancos têm quantidade significativamente menor de polifenóis.

9. Contra-indicações absolutas para consumo de bebidas alcoólicas de qualquer natureza: arritmias cardáiacas, disfunção ventircular, diabetes, doenças hepáticas e alcoolismo.

10. Além do coração: outros possíveis efeitos protetores do vinho
Os benefícios associados ao consumo moderado de vinho não se limitam ao sistema cardiovascular. A equipe do professor Protásio Luz também aponta efeitos protetores em condições como degeneração macular relacionada à idade, doença de Alzheimer e outras formas de demência, diabetes mellitus, além de possíveis influências hormonais (como no metabolismo do estrogênio). Há ainda associações com menor incidência de úlcera duodenal e hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata não relacionada a câncer) — sempre dentro de um contexto de moderação e estilo de vida equilibrado.

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Fonte:

Vinho – VEJA