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Harmonizar o bacalhau apenas com vinho branco é um pecado na Páscoa

Sempre entendi que bacalhau é um peixe, por isso minha primeira opção eram os brancos. Bastaram alguns dias na cidade do Porto, em Portugal, para eu mudar de ideia. Ali, em uma degustação no Mira Mira, que leva assinatura do chef duas estrelas Michelin Ricardo Costa, provei uma posta altíssima num caldo acompanhada de um tinto leve. Foi como descortinar um novo mundo. O peixe veio acompanhado por um inesquecível Proibido à Capela, da região do Douro, safra 2021. Um vinho tinto feito com 10% de uvas brancas e 90% de uvas tintas, proveniente de vinhas com mais de 50 anos. O Clarete (R$ 199) desse mesmo produtor já chega por aqui pela Grapy Vinhos e pode ser uma excelente opção para sua mesa de Páscoa.
Os acompanhamentos ou a forma como é preparado costumam também dar boas pistas a respeito de que vinho abrir com esse peixe salgado e tão versátil. No entanto, recentemente, Paula Daidone, uma jornalista brasileira que vive no Porto e é educadora certificada do vinho que leva o nome da cidade, pelo tradicional IVDP (Instituto do Vinhos do Douro e Porto), sugeriu que façamos a harmonização pelo corte do pescado.
São simples e importantes sugestões, acompanhe aqui:

– Se a receita é uma salada fria e usa lascas do pescado, um vinho branco leve, como um Pinot Grigio, um Sauvignon Blanc ou um Grüner Veltliner (feito como uma uva austríaca) podem ser uma ótima opção.

– Para os tradicionais bolinhos de bacalhau fritos, vale um bom vinho verde ou os Alvarinhos da Galícia e os Albariños uruguaios. Provei recentemente o Natural Mystic (R$ 193,83, na Mistral), de um produtor português chamado Invencível, uma deliciosa combinação das uvas Loureiro, Arinto e Alvarinho, que deve ficar muito especial com essas frituras.

– Se a receita for um risoto ou os pedaços vieram com creme ou natas, a boa pedida são os brancos com passagem por madeira. O Chardonnay brasileiro da Terra Fiel, produzido com uvas da Campanha Gaúcha com três meses de carvalho francês pode ser uma boa parceria. Para quem prefere a madeira levemente mais marcada, são alternativas o blend de Chardonnay e Semillón do Lágrima Canela (R$ 190), da Bodega Bressia, de Mendoza (AR) e o Maestria Chardonnay (R$ 180), da Philosofia, de São Roque, que passa 12 meses por carvalho francês.

– Postas e lombos, que são as partes mais nobres do bacalhau, podem ser servidos com tintos leves, de uvas menos tânicas e sem madeira. Sabe aquela receita clássica com azeite, tomates confitados, ovos e brócolis? Um Pinot Noir, Gamay ou Barbera podem tornar o prato um acontecimento. É também boa opção o Luigi Bosca Pinot Noir (R$ 215). Para fechar a refeição com chave de ouro, o Garzón Fiel Blend Claret (R$ 362), da vinícola uruguaia, é um blend saboroso, levíssimo e fresco das uvas Marselan, Merlot e Cabernet Franc. Esse tipo de vinho será tema de uma das próximas coluna.

Com essas sugestões, o sucesso do encontro do feriado está garantido. Feliz Páscoa!

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Fonte:

Vinho – VEJA