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A grande festa de vinhos com chef estrelado, DJs e convites a 400 dólares

Ao longo da história da humanidade, quase todas as civilizações que colocaram semente na terra inventaram, em algum momento, um motivo para brindar à colheita. Os gregos honravam Deméter com as Tesmofórias e entregavam a vindima a Dioniso nas Dionisíacas; os romanos se esbaldavam na Saturnália; chineses transformaram a colheita de outono no atual Festival da Lua. Desde os tempos passados, a humanidade já sabia que safra boa se celebra em grupo, com comida na mesa e algum líquido fermentado na taça.

Essa tradição é mantida, mas as celebrações contemporâneas do tipo ganharam ingredientes extras. Chefs estrelados, vinhos ícones servidos a rodo, DJs importantes no cenário internacional e status de exclusividade. Foi assim na festa da vindima 2026 da Bodega Garzón, em Maldonado, no Uruguai, no último dia 13. Os ingressos do evento, que teve como chef responsável o argentino Francis Mallmann e sus Siete Fuegos, foram vendidos a R$ 2.775 (cerca de US$ 400) e esgotaram-se em dois dias. “Uma experiência épica para adicionar à sua lista pessoal das melhores da vida!’, anunciava o site do Wine Locals, responsável pela venda dos ingressos. Como vem ocorrendo nos últimos anos, a grande maioria do público era formada por brasileiros, vindos dos mais diferentes cantos do país.

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O chef Francis Mallmann em açãoMarianne Piemonte/VEJA

A festa começou às 13h com a colheita de Marselan (um casamento de Grenache com Cabernet Sauvignon), apresentada pelo CEO da vinícola, o chileno Christina Wyle, que anunciou que hidrataria os participantes com um belíssimo espumante brut e um rosé de Pinot Noir (que chega ao Brasil pela World Wine). Cerca de 400 convidados, munidos de tesouras de poda, enveredam-se pelos 250 hectares de vinhedo cortando cachos, fazendo poses dionisíacas ao som de “Fly me To The Moon”, tocada ao vivo. Havia alguns americanos, jornalistas ingleses e alemães, mas, sem dúvida, era uma festa brasileira.

Uma mesa imperial de 150 metros foi montada no centro dos vinhedos. Apesar da quantidade de convidados, havia o elegante “placement card”, cuidadosamente posto, marcando onde cada convidado seria acomodado. A mesa terminava próxima das três imensas paelleiras (a maior comportava 27 quilos de arroz), que já estavam com a brasa ardendo à espera do comando do chef do fogo. Empanadas e outros quitutes típicos foram servidos até que a grande hora dos arrozes al fuego ganharem a mesa. Havia opção de cordeiro, frutos do mar e a versão vegana. Houve quem provasse das três. Como no?

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Mesa imperial de 150 metros montada no meio do vinhedoMarianne Piemonte/VEJA

Para acompanhar, nessa fase estavam à disposição o Albariño Reserva e o Tannat Single Vineyard, além de algumas imponentes garrafas imperiais (formato que comporta 3 litros de vinho) do Balasto 2020, o vinho ícone da Garzón, reconhecido como um dos “Grands Vins du Monde, lançado na Place de Bordeaux (assunto este para a próxima coluna AL VINO). Fazia bastante calor, o que dificultou um pouco deixar os tintos elegantemente encorpados na temperatura correta de serviço, mas nada capaz de diminuir a sede nem o ânimo dos participantes.

Mallmann saiu de cena antes mesmo da sobremesa, não sem antes de tirar fotos e selfies com boa parte das pessoas. Para os convidados, a balada estava só começando. A  festa só termina quando o sol se põe atrás do vinhedo. Quando a animação esquenta de vez, há uma profusão de taças seguradas em riste na pista de dança, tendo como trilha sonora hits brasileiros e internacionais. Confira aqui no vídeo:

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O belíssimo prédio da vinícola foi desenhado pelo estúdio argentino Bórmida & Yanzón para Alejandro Bulgheron, dono da Garzón e mais algumas vinícolas pelo mundo. A última parada dos convidados da vindima é a loja que fica ali dentro. Eram caixas e caixas de Tannat Single Vineyard e Balastos, que no dia da festa estava com desconto de 20% e saia por R$ 953,66 (contra R$ 1.400, no Brasil), levadas a automóveis, vans e helicópteros.

A próxima festa já está marcada para segunda semana de março de 2027. Entre tesouras de poda, paelleiras e garrafas imperiais, prova-se no evento algo simples e antigo: a colheita continua sendo desculpa perfeita para juntar gente, celebrar terra e engarrafar memórias. A vindima da Garzón mostra que tradição e espetáculo podem ser harmonizados e adaptados aos tempos modernos.

E, como se diz no Uruguai: que nunca falte el vino!

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Fonte:

Vinho – VEJA